sexta-feira, 18 de abril de 2014

O que é Páscoa, afinal?




Páscoa foi uma das três grandes festas religiosas de Israel, no Velho Testamento. Ainda hoje, é a maior celebração religiosa dos judeus. Não é uma festa e celebração cristã, propriamente. Todavia, porque a a morte e a ressurreição de Jesus Cristo aconteceram durante uma celebração da Páscoa, em Jerusalém, confunde-se Páscoa judaica com a chamada Semana Santa, ou Paixão de Cristo. Até porque, como veremos à frente, alguns elementos da Páscoa judaica tornaram-se tipos ou símbolos de Cristo e seu sacrifício expiatório a nosso favor. Assim sendo, nós, cristãos, celebramos uma Páscoa Cristã.
Páscoa Judaica foi instituída num momento crítico da história da Israel, para celebrar, anualmente, uma grande libertação.  A assim chamada Páscoa Cristã celebra e proclama libertação ainda mais extraordinária e abrangente. Muito resumidamente, vamos recordar essa história.

Israel no Egito.

Mais provavelmente, todos já ouvimos falar de Abrão, Isaque e Jacó, os patriarcas de Israel. Jacó, neto de Abraão, teve doze filhos homens e uma filha. Moravam todos em Canaã, também chamada Palestina. Jacó não escondia sua preferência por dois dos seus filhos, José e BenjamimUm dia, os irmãos enciumados, venderam José como escravo a uma caravana que passava a caminho do Egito. A história de José do Egito é uma das mais bonitas da Bíblia (Gênesis 37 a 50). No Egito ele foi escravo, prisioneiro e, então, Governador!
Ao tempo em que José era Governador na terra dos Faraós, houve grande seca em Canaã, razão porque os irmãos de José foram ao Egito comprar mantimento. Quem os atendeu? José. Saltando alguns capítulos dessa novela, José, com o consentimento do Faraó, mandou vir para o Egito toda a sua família, setenta pessoas, inclusive o velho Jacó, então chamado Israel (Gênesis 32.28). Foi assim que os israelitas, também chamados hebreus, foram parar no Egito (Gênesis 46; Atos 7.14-15).
Na terra das pirâmides, “os filhos de Israel foram fecundos, e aumentaram muito, e se multiplicaram, e grandemente se fortaleceram, de maneira que a terra se encheu deles” (Êxodo 1.7). Nos primeiros anos, eles tiveram privilégios e foram bem tratados. Posteriormente, por razão do seu crescimento e fortalecimento, os sucessivos Faraós os submeteram a uma dura escravidão, e isso por quatrocentos anos. Por fim, o Faraó ordenou a morte de todos os meninos que nascessem nos lares hebreus. Foi nesse contexto terrível que Moisés nasceu. Sua mãe, Joquebede, o escondeu por três meses. Depois, não podendo mais fazê-lo, acomodou-o num pequeno cesto impermeabilizado, e o soltou no rio Nilo, confiando que Deus o salvaria (Êxodo 2.1-10)
Foi o que aconteceu. Moisés, veja só, foi recolhido e criado pela filha do Faraó. Aos quarenta anos, cônscio de seu sangue hebreu, foi visitar seu povo. O sangue “ferveu” quando ele viu um egípcio maltratando um hebreu. Em defesa deste, acabou matando o egípcio… Fugiu para a terra de Midiã, nas proximidades do Sinai. Viveu ali outros quarenta anos. Então, Deus, numa visão, ordenou-lhe que voltasse ao Egito e conduzisse o êxodo, ou seja, a libertação e saída de Israel do Egito (Êxodo 2.11-4.31).
Repetidas vezes, Moisés e Arão, seu irmão, disseram ao Faraó: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo…” Mas o Faraó, coração endurecido, dizia: “Quem é o Senhor para que lhe ouça a voz, e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor [Jeová], nem tão pouco deixarei ir a Israel” (Êxodo 5.1-2). Deus, então, por mãos de Moisés, desencadeou sobre o Egito as famosas Dez Pragas. Cada uma delas seria não somente um juízo divino contra o Faraó e o Egito, mas também uma demonstração da nulidade dos falsos deuses por eles adorados. Faraó e os egipcios haveriam de saber que “só o Senhor é Deus e que ninguém há como o Senhor” (Êxodo 6.7; 7.17; 8.10,22; 10.2; 12.12). A última praga, a mais terrível, foi a morte dos primogênitos… Naquela noite terrível, por ordem divina, Moisés instituiu a Páscoa!

A instituição da Páscoa.

Na véspera, Deus disse a Moisés que um anjo destruidor seria enviado para matar todos os primogênitos do Egito. Simultaneamente, as famílias hebreias deveriam, cada uma delas, matar um cordeiro macho, de um ano e sem defeito, assá-lo e comê-lo com pães asmos (sem fermento) e ervas amargas. Eles fariam isto“com os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão…” (Êxodo 12.11). Ou seja, prontos para partir! O sangue do cordeiro deveria ser passado nas vergas das portas, do lado de fora. Seria um sinal, uma identificação das casas hebreias. O anjo passaria adiante, por cima destas casas, e não mataria os primogênitos hebreus. Na língua inglesa, a palavra parapáscoa judaica é passover (passar por cima0).  Claro, o sangue na porta era mais um testemunho de fé e obediência da família do que um sinal para o anjo… Foi assim que se deu o êxodo ou saída de Israel do Egito, a grande libertação, da qual a Páscoa é a grande celebração. (Está história foi contada com grande beleza e efeitos especiais no filme Os Dez Mandamentos, um clássico).

A Páscoa Cristã.

Pode ser assim identificada pelas duas razões mencionadas na introdução: (1) A prisão, a morte e a ressurreição de Jesus, nosso Salvador, ocorreu durante uma celebração da Páscoa, em Jerusalém. (2) O cordeiro da Páscoa, “sem defeito, macho de um ano” (um ano, o tempo de maturidade para este animal) tornou-se um tipo ou símbolo de Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”,segundo disse João Batista, o precursor de Jesus (João 1.29), e nosso  “Cordeiro pascal”, conforme escreveu o apóstolo Paulo (I Coríntios 5.7). O apóstolo Pedro também escreveu: “… portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados [libertos] do vosso fútil procedimento… mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo… Por ele tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos…” (I Pedro 1.17-21). O sangue do cordeiro com o qual os hebreus assinalaram as portas de suas casas, o que salvou seus primogênitos, é símbolo do sangue de Cristo, que, conforme escreveu o citado apóstolo João, “nos purifica de todo pecado” (I João 1.7 e 9). Nem precisa dizer que não é o sangue propriamente (que nem temos) mas, sim, a fé na eficácia do sacrifício único e perfeito, vicário e expiatório que Jesus realizou por nós na cruz, durante aquela Páscoa, em Jerusalém. Vicário por que ele nos substituiu na cruz, como os cordeiros substituíram os primogênitos hebreus, no Egito; expiatório porque pagou por nossos pecados. Ele foi o “bode expiatório”, expressão que aparece no Velho Testamento, referindo-se aos cordeiros ou bodes que eram sacrificados pelos pecados do povo (Números 5.8. Ver Levítico 5.17-19).
Então, estamos melhor preparados para celebrar a Páscoa? Este é um tempo precioso não para enriquecer o comércio, não propriamente para nos entalarmos de chocolate e curtir o feriadão (embora um chocolatezinho não faça mal a ninguém e o feriadão seja bem-vindo…). Mas não deixemos de refletir no verdadeiro significado da Páscoa, a Páscoa Cristã! Para os que creem em Cristo como seu Salvador e Senhor, os que, por assim dizer, assinalaram suas vidas com Seu sangue, Páscoa é celebração de libertação de uma vida de escravidão ao pecado (qualquer pecado grande ou pequeno), e do início da vida cristã, ou, para lembrar os quarenta anos de Israel no deserto, a caminho de Canaã, início da jornada pelos desertos da vida, até chegar à Canaã Celestial!  Para os que ainda não estão certos disso, Páscoa é tempo de arrependimento, confissão, perdão, salvação, gratidão! Deus os abençoe.
Por Éber Lenz César

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